quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Parte IV


A princesa não sabia o que fazer ao ver aquele ser tão poderoso caindo desacordado em seus braços, começou a se desesperar com tal situação. O que seria dela caso algo acontecesse a Abigor? O que seria daquele pobre ser de luz perdido no coração do Reino das Trevas? Seria eternamente prisioneira da mansão ou, se tentasse sair, seria facilmente capturada e cruelmente assassinada pelos seres das trevas.
E agora? O medo tomou conta de seu corpo, seu coração quase lhe arrancava o peito tão acelerados eram seus batimentos. Vultos começaram a se mover dentro do hall onde ela havia sido curada, sons mais fortes e horríveis agora saiam constantemente dos corredores, como se algo muito ruim se aproximasse. Sem Abigor tudo estava perdido, era o fim, ela segurou o corpo do demônio fortemente entre seus braços e começou a chorar.

_ Por favor, acorde...por favor...não me deixe!

Suas lágrimas pareciam gotas de luz escorrendo e diluindo parte da escuridão que a envolvia. As lágrimas escorriam pelo rosto e pingavam sobre o corpo de Abigor, inexplicavelmente cada gota que caía era como se fosse uma pequena explosão de luz no corpo do demônio. As lágrimas escorriam como se fossem carreiras de pólvora queimando incessantemente. A princesa não sabia o porquê daquilo, nunca tinha visto tal coisa. Foi quando uma das lágrimas alcançou o rasgo no braço de Abigor, a luz emanada naquele instante foi suficiente para clarear todo o hall, e quanto mais gotas de lágrima alcançavam o ferimento maior era a intensidade da luz, como se o ferimento estivesse em chamas, era algo magnífico. Em poucos minutos a luz cessou e a escuridão voltou a reinar.
De tão espantada e maravilhada com a cena que acabara de presenciar, a princesa nem notou que estava novamente envolta pela escuridão. Queria saber o porquê de tudo que tinha acontecido ali naquela noite, porque e como ela havia sido salva com uma magia negra e o que foi aquilo que aconteceu quando suas lágrimas tocaram o corpo de Abigor.
Quando se acalmou e lembrou que estava perdida nas trevas abraçou o corpo do demônio e começou a acariciá-lo. Quando fez isso sentiu algo encostado em seu peito se mover, afastou o corpo e viu que era ele, não estava morto.

_Você está bem!! Obrigada a todos os anjos por tê-lo trazido de volta!

Lágrimas de felicidade inundaram seus olhos, afastou-o de modo a colocar a cabeça dele em seu colo. Ficou acariciando seu rosto e apreciando-o enquanto lentamente ele recobrava a consciência. Ela não estava mais sozinha, era difícil aceitar a verdade, mas ela estava feliz por ter um demônio ao seu lado.
Finalmente Abigor estava de volta, ele acordara nos braços da bela princesa com vagas lembranças do ocorrido. Só tinha uma preocupação em sua cabeça, ele não sabia por quanto tempo tinha ficado desacordado, só sabia que precisava levar a princesa para a fronteira urgentemente, a essa altura diversas criaturas das trevas sabiam que havia um ser de Luz ali e mesmo que ele fosse o grande Abigor, ele não seria capaz de deter sozinho um exército sedento por sangue, ainda mais se soubessem que aquela era a princesa das profecias.

_ Eu estou bem, mas precisamos sair o mais rápido possível daqui. Você corre perigo!

Tentou se levantar rapidamente, mas cambaleou e teve de ser escorado pela princesa, ainda estava muito fraco, mas precisava tirá-la dali. Passou a mão em um manto negro, envelhecido, que cheirava enxofre:

_ Vista isso, não posso correr o risco que vejam você.

Jogando sobre a princesa para escondê-la e saíram rapidamente dali em direção ao dragão.
Ao montar o dragão Abigor logo percebeu vultos se aproximando, cravou os pés no dragão que deu um urro estrondoso e levantou voo numa velocidade inacreditável. Voaram tão alto a ponto de sair daquela névoa densa e voar acima de tudo.

_ Eles estão atrás de nós! _ ele ouviu a princesa falar com a voz amedrontada.

Foi ai que Abigor teve certeza que outros seres já sabiam da existência de um ser de luz em sua companhia.

_ Fique calma, nada vai lhe acontecer.

Ao saírem daquela névoa densa ele pode ver dezenas de seres horrendos claramente perseguindo seu dragão.

_ Se segure em mim.

Ele segurou a princesa com força em seus braços e apertou mais ainda o dragão que soltou outro urro, ainda mais forte e aumentou a velocidade. Porém não foi o suficiente, aqueles seres estavam alcançando-os rápido de mais, a fronteira dos reinos ainda estava longe e Abigor temia não conseguir alcançá-la a tempo.
O primeiro dos seres grotescos os alcançou, lembrava um dragão, mas parecia um cadáver gigantesco com partes do corpo em putrefação, e começou a atacá-los ferozmente.

_ Se agarre firme em meu corpo! _pediu ele a princesa

Abigor puxou sua lança e com um único golpe perfurou a cabeça do animal que caiu em direção à névoa densa abaixo deles. As outras criaturas logo se aproximaram, animais horrendos e podres, demônios alados, dragões com seus respectivos mestres...
Estavam cercados, mas ele era Abigor e não desistiria tão fácil.

_ Estou com medo!

Abigor viu os olhos temerosos da criatura

_ Escute, preciso que segure com força e independente do que aconteça não pare o dragão até chegar à fronteira. Lá você estará a salvo.
_ Mas e você?
_ Eu ficarei bem.

Ele prendeu a princesa às costas do dragão e pôs-se de pé com dificuldade empunhando firmemente sua lança, o que arrancou gargalhadas daqueles seres das trevas,. Sofria ataques por todos os lados e lutava bravamente, mesmo fraco era como se a batalha trouxesse cada vez mais vigor ao demônio.
Derrubou muitos daqueles que o atacavam, mas eram em um número muito grande e os ataques eram constantes, não cessavam um segundo se quer.
Abigor caiu de joelhos sobre as costas do dragão, a princesa olhou assustada para trás

_ Está ferido! Pare agora!
_ NÃO OLHE PARA TRÁS! SIGA EM FRENTE!!
Foi ai que um demônio lançou uma flecha em direção ao coração de Abigor que num reflexo só teve tempo de levantar o braço esquerdo para se defender. A flecha atingiu em cheio o corte recém-fechado e, instantaneamente, foi como se uma bomba tivesse explodido no interior do corpo de Abigor.
Ele soltou um gritou gutural, sentindo todo seu corpo queimar com muita força, a dor tinha sido muito intensa. O corte se abriu e uma luz muito forte saiu de dentro daquele rasgo, era como se todo o interior do demônio agora fosse feito de luz.
A luz dissolveu os demônios que estavam mais próximos e espantou todos aqueles outros que os perseguiam. Novamente o demônio cai desmaiado ao lado da princesa. A essa altura a fronteira já podia ser avistada e ela manteve o rumo até que atravessassem.

“AMA-ME....AINDA HÁ TEMPO..."



Parte III


Abigor pousou seu dragão calmamente. Ele mantinha a Borboleta junto de si, protegida em seus braços. Estava frio, e ele a abraçava com mais força pra que seu calor pudesse passar a ela. A frágil Borboleta não estava acostumada com o frio e com o escuro, aquilo a assustava, mas se sentia imensamente acolhida nos braços daquele demônio, sentia ser ele sua única salvação naquele minuto.      
Ele a levou para dentro da casa, era preciso manter segredo sobre a Borboleta, qualquer criatura da Luz não era bem vinda às Trevas, e apesar de todas as criaturas das Trevas o temer, não queria arriscar a vida daquela que mantinha nos braços.
A casa de Abigor lembrava um castelo, uma porta dupla gigantesca de madeira bem envelhecida, presa por correntes e com uma cabeça de bode gigantesca no topo do portal que cuspia fogo pelas narinas. Ao passar pela porta a princesa se deparou com um hall tão grande quanto ao do castelo do Reino da Luz. Como poderia um demônio ter uma casa que se equiparava a um castelo? Ele não era qualquer demônio, pensou ela. Um hall circular, cercado por colunas de mármore negro, o piso todo entalhado com formas que se encaixavam num desenho perfeitamente simétrico, olhado de cima parecia com uma estrela de cinco pontas e um círculo central, tochas estavam posicionadas em cada uma das cinco pontas da estrela.
Era quase impossível enxergar além das colunas devido à fraca luminosidade, mas pareciam corredores, corredores tenebrosos que ela realmente não queria saber onde iriam dar.
Abigor então a colocou delicadamente no centro daquela figura no chão e começou a acender as tochas. Quando terminou ela pode ver o teto, pinturas de batalhas sanguinárias estavam gravadas naquele lugar, depois de um tempo observando ela percebeu que aquelas pinturas contavam uma história, a história do mundo e como os dos reinos se separaram a milhares de anos. Como era possível uma história tão grande ser bem contada num pequeno espaço como aquele e com tamanha riqueza de detalhes? Ela não acreditava, aquele demônio devia ser muito poderoso, um grande sábio talvez.
Ela temia por sua vida, estar tão debilitada nas mãos de um demônio assim seria morte na certa, ele poderia fazer o que quisesse com ela, mas todos esses pensamentos se afastaram quando ele se aproximou do centro do pentagrama e ela olhou novamente em seus olhos.
Eles ficaram se encarando por um tempo, a sensação que os dois sentiam era inexplicável, algo realmente novo para ambos. No fundo os dois sabiam o que era aquele sentimento, mas não podiam aceitar. Como um ser de luz poderia se apaixonar por um ser das Trevas e vice-versa? Isso era inaceitável, mesmo se os dois se assumissem seriam condenados e mortos por seus semelhantes como traidores.
Abigor suspirou e desviou o olhar, ele precisava fazer algo antes que aquele ser padecesse, mas como? Ele só tinha conhecimentos de magia negra, provavelmente aquilo seria mortal pra ela, mas ele tinha que tentar.
Ele atravessou o hall e entrou no escuro em um dos corredores, ela só ouvia o ranger de portas e logo gritos, sons horrendos. Pouco depois Abigor voltou com um animal em suas mãos, e o segurou no ar sobre a princesa, ele precisaria do sangue daquele animal para salvá-la. Ao perceber as intenções dele a princesa gritou:

_ NÃO! POR FAVOR, EU LHE IMPLORO, NÃO FAÇA ISSO!

Ela então se agarrou a ele e seu rosto estava ainda mais pálido. Abigor pode ver lágrimas de pena do animal brotando-lhe nos olhos, mas ele não entendia, ele estava prestes a salvar a vida dela, a vida daquele animal era muito insignificante, mas ela não queria permitir isso, ela preferia morrer a ver aquele mísero animal perder a vida.
Aquilo comoveu o demônio, COMO ASSIM COMOVEU O DEMÔNIO? Sim, nem mesmo ele sabia explicar o que acontecia quando estava perto daquele ser de luz. Em situações passadas ele teria simplesmente decepado sua cabeça naquele campo da fronteira e bebido todo o seu sangue, mas com ela era diferente, o cheiro de jasmim que ela exalava o entorpecia, ele sentia uma sensação de prazer e tranqüilidade que ele nunca imaginou sentir.
Ele afastou cuidadosamente a princesa de seu corpo:

_ Acalma-se, confie em mim.

Abigor arremessou o animal para o corredor, ele não o mataria, não conseguiria. Mas ele precisava de sangue, sem sangue a princesa não sobreviveria.
Mas onde arrumar sangue que não seja de outros seres vivos? Foi ai que ele se lembrou que mais forte e poderoso do que qualquer outro sangue nesse universo era o sangue de criaturas místicas, das duas criaturas mais poderosas existentes, os demônios e os anjos. Ele arrancou a parte da armadura que protegia seu antebraço com toda força e arremessou longe, a princesa o fitava perplexa sem saber o que estava acontecendo, ao mesmo tempo que ele tirava uma bela adaga da cintura, toda entalhada com o cabo em formato de cabeça de dragão, e enfiava no toda a força no braço, rasgando do punho até a dobra do braço deixando aquilo aberto com cada camada de pele e músculo a mostra.
O sangue literalmente jorrou do braço esquerdo do demônio, aquele sangue escorreu pelo chão e preencheu cada linha daquele pentagrama, quando a última linha estava completa ele arrancou um pedaço de sua roupa e fechou o rasgo no braço. Colocou a princesa que estava cada vez mais pálida novamente no chão e se dirigiu pra uma das pontas da estrela pegando uma tocha. Encostou a chama no chão e imediatamente o fogo se alastrou por todas as linhas daquela figura geométrica. Abigor voltou pra junto da borboleta, agora os dois estavam no meio de um pentagrama incandescente. Ele ficou parado ao lado dela conjurando palavras num idioma sombrio e antigo que ela não conseguia compreender. Quanto mais ele falava mais as chamas aumentavam até tomar todo o círculo de magia, o único lugar que não pegava fogo era o centro.
A princesa começou a levitar devagar, apesar do medo e da dor que sentia a presença do demônio lhe dava muita segurança.
Quando ela chegou à metade da altura entre o altar e o teto Abigor gritou as seguintes palavras:

_ Valignat! IRISV!!! (No idioma dracônico: Queime! CURE!).

Quando ele disse isso às chamas tomaram o lugar, a princesa fechou os olhos em desespero, não tinha forças para se mover, iria morrer. Mas quando abriu os olhos à surpresa, ela estava envolta pelas chamas, como se estivesse numa cápsula. Não sabia por que, mas quanto mais o fogo queimava mais forte ela se sentia. Sentiu seus ferimentos curando, a dor indo embora, começou a sentir suas asas novamente, e viu sua luz voltar. Como isso era possível? Ela estava sendo curada com um ritual da magia das trevas.
Após alguns minutos a chama cessou e ela viu Abigor lá embaixo trazendo-a de volta para o chão lentamente. Quando ele a colocou no centro do altar suas pernas fraquejaram e ele caiu desacordado nos braços da bela princesa...


“Um homem só encontrou a mulher ideal quando olhar no seu rosto e ver um anjo, e tendo-a nos braços ter as tentações que só os demônios provocam.”




terça-feira, 2 de outubro de 2012

Parte II


Abigor voava de volta para seu reino segurando forte em seus braços aquela frágil criatura “Ela está morrendo, não posso permitir que isso aconteça”.
Apesar de toda aquela situação inusitada, ele tinha o coração em paz com a Borboleta rosa em seus braços, mesmo com a dor que lhe causava o pensamento daquela criatura morrer, pela primeira vez desde que se lembrava do vazio em seu peito estava preenchido.
De repente, a Borboleta abriu os olhos, lentamente, “Onde estou?”, olhando assustada para os braços que a carregava se deparando com um demônio. Ela tremeu não de medo, mas de admiração, ela estava nos braços do jovem dos seus sonhos, a beleza extrema, os traços fortes, aquele era ele, o jovem que ocupava seus sonhos a noite e seus pensamentos durante o dia. A Borboleta deve ter estremecido seu corpo com muita força, porque naquele momento Abigor sentiu a corpo da criatura ficar rígido em seus braços, desviou então os olhos do céu a sua frente pra olhá-la imediatamente, poderia descrever aquele momento como algo único no mundo, foi como se o tempo houvesse parado por alguns instantes, eles se olharam profundamente, Abigor se perdeu dentro dos olhos de estrela dela ao mesmo tempo em que ela se perdia no olhar de chamas dele, somente com um olhar penetraram na alma um do outro, era como se pudessem enxergar o que havia dentro de seus corações, seus medos, anseios, esperanças e sonhos.
Abigor sentiu algo forte inundando seu ser, como se algo muito quente o estivesse queimando por dentro, e de repente era como se a luz dos olhos da Borboleta estivesse dentro dele. A Borboleta sentiu como se a chama de Abigor estivesse queimando seu coração, o aquecendo do inverno rigoroso em que ele estava, era como se o frio tivesse ido embora e deixado apenas o calor aconchegante que vinha daquele belo demônio.
Um rugido do dragão interrompeu os pensamentos de ambos, estavam chegando em casa. A Borboleta retraiu o corpo, só agora percebera que estava no coração do reino das trevas, voando num dragão maligno e nos braços de um demônio.

- Fique calma, nada de mal vai lhe acontecer. Suas asas estão feridas, e sua luz esta muito fraca, logo poderá voltar pra casa, mas precisa confiar em mim.

A Borboleta assentiu calada, não tinha forças pra falar. Não sabia quem era aquele jovem, mas algo dentro dela dizia que podia confiar nele...


"Não é o perfeito, mas o imperfeito, que precisa de amor".


Parte I


Quando a princesa abriu os olhos e se viu carregada por um demônio, seu pequeno coração começou a bater mais rápido. “Seria esse o meu fim?” pensou ela.

Para começarmos a história corretamente, havia um mundo muito muito muito distante, habitado por demônios e anjos, fadas e duendes, dragões e diabos, onde seres mitológicos passeavam calmamente por suas florestas e o bem era separado do mal. Nesse mundo havia dois grandes reinos, o Reino das Trevas, habitado por criaturas obscuras, praticantes de magia negra, criaturas da noite sombrias que escondiam suas faces no negrume que nunca sumia, lá não havia luz, existia apenas a escuridão. E o Reino da Luz, habitado por criaturas mágicas do bem, eram criaturas de luz cintilante, com sentimentos bons, praticavam magia branca e estavam sempre em sintonia com a natureza e com o universo, lá era um lugar de luz onde a escuridão jamais poderia entrar.

O Reino das Trevas era habitado por criaturas sem compaixão, destinadas a fazer o mal e a manter o mundo em guerra e destruição sempre. Dragões, diabos e demônios compunham as raças de criaturas mais malignas e temidas desse reino. Eram criaturas mortas, podres por dentro.
Dragões, muitos dragões cromáticos cortavam a escuridão dos céus com um forte bater de asas e rugidos de estremecer qualquer criatura viva nesse universo, eram os ‘Demônios dos Céus’. Criaturas solitárias, malignas, agressivas e sórdidas, sem compaixão até mesmo com seus semelhantes dracônicos, costumavam atacar mesmo quando não provocados, por puro prazer. Predadores bestiais e astutos. Gananciosos e excepcionalmente arrogantes, qualidade que se refletia em suas posturas imponentes e expressões de desdém.
Diabos, os flagelos do universo. Abissais que apreciavam aterrorizar os seres mais fracos e atacar criaturas boas apenas para obter troféus. Os mais poderosos ocupavam – se com planos para acumular poder, destruir civilizações e infligir sofrimento a seres de Luz. Envolvidos por uma aura de medo, que utilizavam para dispersar grupos poderosos e derrotar os inimigos individualmente. Famosos por sua força, seu temperamento maligno e sua organização cruelmente eficiente.
Quanto aos demônios, esses sim, esses eram os seres mais temidos de todo o Universo. Raça de criaturas nativa das Trevas, a personificação da ferocidade. Atacavam qualquer criatura por simples prazer - até mesmo outros demônios. Gostavam de aterrorizar suas vítimas antes de matá-las e muitas vezes devoravam os cadáveres. Vários demônios, insatisfeitos com a sua própria perversidade, divertiam-se seduzindo criaturas de luz a se tornar tão depravadas quanto eles.

O Reino da Luz era completamente o oposto ao Reino das Trevas. Reino habitado por criaturas de uma compaixão inigualável, nascidas para o bem. Anjos, fadas e por incrível que pareça dragões. Seres que emanavam uma luz incrível e uma sensação de paz inexplicável para aqueles que estavam próximos.
Os anjos eram, sem sombra de dúvidas, os seres mais belos e perfeitos desse reino. O extremo oposto aos demônios, os únicos seres no universo que não os temiam e eram capazes de enfrentá-los em combate de igual pra igual. Completamente imbuídos de bondade em cada fibra de seus corpos e almas. Inimigos naturais dos demônios e diabos. Nunca mentiam, trapaceavam ou roubavam e sua honra era impecável em tudo o que faziam.
As fadas eram seres tranquilos, que só abandonavam seus lares para combater o mal, corrigir ausência de beleza no mundo e proteger seu território. Seres que só morriam em função de doenças mágicas muito poderosas ou ferimentos graves.
Devem estar se perguntando sobre os dragões, como assim era possível a existência de dragões no Reino da Luz? Pois sim, existiam muitos dragões. Os dragões metálicos constituíam o ramo bondoso da sociedade dracônica, porém podiam ser tão agressivos quanto seus parentes malignos caso fossem ameaçados por criaturas das Trevas. Criaturas graciosas, sinuosas e de vasta sabedoria. Odiavam qualquer tipo de injustiça ou trapaça e assumiam cruzadas pessoais para promover o bem. Auxiliavam com satisfação qualquer criatura bondosa que realmente precisasse.

Entre todos esses seres mágicos iremos dar destaque especial a dois, que serão os personagens principais da nossa história. É com eles que perceberemos como mundos diferentes e destinos opostos não são capazes de interferir e nem lutar com a força de um amor verdadeiro.

No Reino da Luz havia um ser, o mais raro que esse mundo já ouviu falar. Ele aparece no mundo somente a cada dois milênios para reinar e governar o Reino da Luz. Uma borboleta rosa tão bela e perfeita que superava os anjos em tudo. Asas num tom único de rosa com detalhes negros imponentes e belos, detalhes tão ricos que pareciam entalhados a mão. Era cativante, doce, tinha uma voz encantadora e seus olhos pareciam duas estrelas, aqueles que tinham o prazer de olhar dentro deles entravam em estado de transe, uma sensação de paz e bondade acima da encontrada em qualquer coisa no Reino da Luz. A luz que ela emanava era mais intensa do que a de qualquer outra coisa no Reino. Não era branca como a dos outros seres, tinha um tom de rosa suave e passava uma sensação de calma e tranqüilidade aos que olhavam. Essa era a Princesa Borboleta do Reino da Luz, o ser mais raro, belo e cheio de luz que esse universo já ouviu falar.

No Reino das Trevas, como já disse antes, era o habitat de uma grande quantidade de demônios, as criaturas mais perversas do universo. Entre eles, havia um cujo nome era Abigor, demônio que comandava 60 legiões infernais montado em seu dragão grande ancião, tinha a capacidade de prever o futuro, além de ser conhecedor de todos os segredos da arte de guerrear. Carregava sempre consigo uma lança, estandarte ou cetro. Abigor era um jovem de beleza encantadora e única, o que o diferenciava de todos os outros demônios era seu corpo humano e sua alma, ele era o único demônio capaz de ter sentimentos de justiça e honra. Abigor era temido e odiado, amado e desprezado, tinha o dom da escrita e da fala, um corpo e um poder de sedução, seus olhos na lua cheia eram como tochas acesas ao luar, sabia convencer melhor que qualquer um, conta a lenda que no dia do juízo final e da Batalha entre os dois reinos, Abigor derrubará muitos anjos e seres benevolentes, podendo se tornar o senhor dos dois mundos. O que ninguém sabia, no entanto, era que Abigor além de sua beleza rara conservava em seu peito um demônio encantador, sublime, que questionava a razão da escuridão e da luz, que questionava o poder de um ser supremo entre os dois mundos. Ele era um ser além de tudo que se ouviu falar.

Em um dia quente de primavera no Reino da Luz, a princesa Borboleta estava silenciosa em seu castelo, uma dor em seu coração latejava, havia meses que estava tendo o mesmo sonho, sonhava com um moço encantador montado em um dragão, sentia seus braços em volta dela, e no momento em que ia olhar em seus olhos acordava. A princesa se sentia sozinha, já conhecerá todos os jovens daquele reino e nenhum nem se quer chegava aos pés da beleza do ser de seus sonhos, aquilo a incomodava, lembrava-se do campo de flores a algumas léguas distantes dali, lembrava que aquele era o lugar de seus sonhos, mas a Borboleta sabia ser lá um lugar proibido pra ela e pra todos os seres de luz, lá era a Fronteira com o Reino das Trevas, muitos demônios lá estavam para caçar seres de luz desavisados que se aventuravam por aquele misterioso lugar, mas a Borboleta sabia que o lugar de seus sonhos só podia ser essa Fronteira. Levantando decidida ela resolveu arriscar, seu coração gritava de desespero, era preciso acalmá-lo, era preciso encontrar o jovem de seus sonhos. “Serei cautelosa” pensava ela, e saiu do seu castelo rumo à fronteira de seu reino.
Enquanto isso era um dia frio de outono no Reino das Trevas, Abigor voava com seu dragão observando a escuridão reinar em seu mundo, não conseguia tirar da cabeça a luz rosada que invadia seus sonhos a alguns meses, ele acordava sentindo o cheiro de jasmim no ar, e a sensação de paz que aquele sonho lhe causava. Abigor apenas sentia paz em seus sonhos, ele sempre era perturbado por sua visões do futuro, por seus questionamentos sem fim sobre o porquê do universo, por senso de justiça, e por sua solidão, nosso Abigor sentia-se só, aquele sonho era a única coisa que trazia alivio para sua alma. De repente algo aconteceu, Abigor sentiu o peito apertar, seu coração doía. Sim, Abigor tinha um coração e uma alma, era um demônio muito especial. Abigor sentia a pontada cada vez mais latejante em seu peito. “A fronteira, algo acontecerá na fronteira dos reinos”. Dominando seu dragão colocou-se a caminho da fronteira, sem saber que aquela decisão mudaria sua vida.

A Borboleta chegou com medo na fronteira, mas seu coração estava ansioso. Quando lá chegou se surpreendeu, aquele era exatamente o lugar do seu sonho, as mesmas flores, o mesmo vazio, nenhum ser sobreviveria a tamanha solidão, por ser uma fronteira entre reinos rivais o ar era pesado, a tensão encontrava-se escondida em cada canto. A Borboleta olhava tudo com temor, “O que estou fazendo aqui - pensava ela - acho que perdi o pouco de juízo que me restava” seu coração gritava no peito, era preciso estar ali. De repente um corvejar de um corvo fez seu coração parar por um minuto e quando ela olhou na direção cinco diabos saiam das sombras, a Borboleta tremia, aquela visão era horrenda, nem em seus piores pesadelos era possível imaginar seres assim tão horripilantes. Quando avistaram a Borboleta eles soltaram risadas guturais, se via o ódio e a maldade estampada em seus olhos, iriam matá-la, mas antes a torturariam até sua luz rosa esgotar. A Borboleta desesperada em um minuto de lucidez saiu voando em disparada procurando abrigo em seu reino, nesse minuto ela escutou os diabos com suas patas de cavalo a alcançarem e uma dor latejante em suas asas a fez cair no chão, perdendo a lucidez...
Abigor estava desesperado, seu coração doía, precisava chegar rápido, ele sentia isso. Fazia o dragão voar em disparada por entre o reino. Quando avistou a fronteira seu coração gelou, uma Borboleta voava desesperada em busca da proteção de seu reino enquanto cinco diabos a perseguiam, de repente um diabo lhe lançou uma boleadeira fazendo a Borboleta cair no chão. Em qualquer outra situação ele não se importaria com o destino da frágil criatura, quem mandou se aventurar na fronteira dos mundos, todos do Reino da Luz sabiam do perigo que lá havia, ela achou o que estava procurando, mas ao ver aquela Borboleta rosa, em perigo seu coração urrou, cravou seu pé com força nas costas de seu dragão que soltou um rugido feroz fazendo estremecer os céus, os diabos olharam assustados. Era Abigor. Eles sabiam da fama de justiça do demônio por isso saíram correndo dali antes que o mesmo soltasse sua fúria sobre eles. Abigor, fez com que o dragão pousasse calmamente próximo a jovem borboleta, ele desceu a passos trôpegos, seu coração estava agitado, “Mas o que esta acontecendo comigo?” pensava ele. Ao se aproximar da criatura, ele abaixou pra tirar as cordas de suas asas, quando o cheiro de jasmim invadiu seu nariz, “Não é possível” enquanto sua mente vagou pelos sonhos, o cheiro de jasmim, a luz rosa, e o rosto da Borboleta rosa, era ela, o ser dos seus sonhos era aquela Borboleta. Sem mais demora, a pegou nos braços, era preciso salva-la, sua luz rosa estava quase apagando, montou em seu dragão e saiu voando novamente. Seu coração finalmente estava paz...

Vemos demônios
Em tudo e em todos
Quando podemos sentir
E vivenciar o divino amar...


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Prólogo


Esta frio,
Tento abrir os olhos mas as pálpebras estão pesadas,
Meu corpo não se meche....
Tenho medo!
O que houve comigo???
Faço um esforço supremo e meus olhos se abrem,
Abro para fecha-los imediatamente,
Uma escuridão…estou rodeada de escuridão...
Mas, eu tenho medo do escuro!!!
Por favor, alguém me ajude!
Minhas asas??? Elas não se mexem!!!!
Meu corpo paralisado...
Frio...escuridão
Medo...solidão...
Por favor...
Socorro...
Alguém por favor me tira daqui!!!
Então sinto-me levantar.
Não tenho forças pra ver quem está lá,
Ele me segura forte,
O calor do seu corpo vai me aquecendo aos poucos..
De repente de olhos fechados sinto o clarão do dia voltar!
Quando me sinto bem abro os olhos...
Estou nos braços de um demônio!